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quinta-feira, 25 de junho de 2009

Encontro na chuva

Foto: Walda Marques

A foto acima é de um momento de Belém do Pará, minha cidade natal, e ao fundo podemos ver,tímido, o pórtico de entrada para o Forte do Castelo, onde nasceu aquela bela e surpreendente cidade, mas também poderia ser um portal, desses que desobedecem o tempo e lugar, ligando neste momento minhas duas cidades nessa tarde de chuva de inverno no Rio de Janeiro. Ambas, mágicas que são, têm a água, esse elemento celular e fundamental, como grande mobilizador. A segunda com a água como grande companheira, a primeira com ela como algo sempre presente, mas nem sempre aberta aos nossos olhos.

A imagem de Walda Marques nos traz essa sinergia, essa ligação entre lugares, sensações e almas que encontram nos momentos de chuva um momento de (re)encontro e prazer no contato conosco e com o outro.

Sigo ouvindo o barulho dos pingos no telhado e o aroma de minhas ervas levando minhas orações aos deuses do firmamento e do amanhã.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

De Ver Cidade

Foto Walda Marques

Não sou arquiteto, mas um cidadão que vive dentro desse emaranhado da cidade eu sou, e, como tal, por vezes percebo essa interação, especialmente agora que busco nova morada em nova pólis.
Fato é que as andanças por esses espaços mostram coisas interessantes, e uma delas surgiu em conversa com minha irmã, a super fotógrafa Walda Marques (www.tabernasaojorge.com.br), quando concluímos que as intervenções que nelas são feitas seguem para a história e com elas interagimos, e é esse presente, o de viver a partir das novas ruas, dos espaços recompostos, do pensar urbano que se forma a partir do sucesso de intervenções realizadas em uma cidade.

Belém é um bom exemplo disso: após o trabalho impressionante do arquiteto Paulo Chaves à frente da Secretaria de Cultura do Pará, obrigatoriamente nos relacionamos com uma nova cidade a partir dos espaços novos e/ou readequados que surgiram, e que a obriga inclusive a pensar sua periferia, seja pela ausência de uma intervenção direta nela - o que pode ser fruto de abandono e descaso - como pela necessidade criativa de formar pontes que liguem essa cidade cada vez mais separada.

Fato é que após esse trabalho, o que fica posto à cidade e aos que nela habitam e passeiam é a interação presente e o pensar no futuro, já que a discussão somente em torno do nome do administrador de quem a fez somente serve para comprovar que o trabalho realizado atingiu o objetivo maior de permitir uma nova interação com um lugar que precisa agora saber para onde deseja ir a partir da relação estabelecida entre seus cidadãos, os espaços públicos existentes e a urbanidade fruto desse emaranhado.

Isso é o que vejo e sinto nessa manhã cinzenta de outono carioca...mesmo não sendo arquiteto.