Mostrando postagens com marcador Belém. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Belém. Mostrar todas as postagens

domingo, 28 de abril de 2013

BelTarde


A nova morada abre suas portas para a chuva dar as boas vindas,
e no Jurunas do "treme" o Rei, ele mesmo, em alto e bom som canta:
"nem mesmo o céu, nem as estrelas...",

Mas é sol lá fora e o nublado do horizonte vai lentamente abrindo. A percussão dos pingos canta junto, e o baile segue nessa março tarde do não saber...

e eterno aprender.

Belém, tarde Páscoa, 2013.

sábado, 14 de abril de 2012

Uma Unha de Prosa

Diversas são as formas de um povo formar e mostrar sua identidade, e a gastronomia é uma delas. Alçada a uma atividade de destaque, atualmente não são poucos os jovens que sonham com o quase status de celebridade à frente de um fogão, panelas, caçarolas, frigideiras, temperos e aventais alvos; é só dar uma passeada nos canais de TV abertos e fechados.

O Pará sempre teve uma ótima gastronomia, apontada por muitos especialistas como a que pode ser chamada de genuinamente brasileira, por suas origens indígenas. Graças aos esforços do saudoso chef Paulo Martins, que junto com sua mãe capitaneou o histórico “Lá em Casa”, os ingredientes mais utilizados e típicos da culinária do Pará ganharam o mundo e hoje abrilhantam pratos de restaurantes festejados, muitos com estrelas no famoso Guia Michelin.

Até o mítico Adrià, do “El Buli”, acompanhado do chef brasileiro Alex Atala, do “Dom”, estiveram em Belém rendendo suas homenagens e agradecimentos a Paulo Martins, por desvendar de forma tão estruturada e didática os produtos quase mágicos dessa cozinha genuinamente amazônica. Sim, porque não é em qualquer lugar que encontramos uma erva como o jambú, que faz tremer a língua e os lábios.

O “Ver-o-Peso da Cozinha Paraense”, evento criado por Martins, está na sua décima edição e já ocupou o mercado que lhe empresta o nome, promovendo um encontro entre os estrelados chefs e as clássicas boieiras do dia a dia, porque é importante esclarecer: alta gastronomia é “alta costura”, bóia é “pret à porter”, e ambas são hype na sua medida.

Quem está na capital paraense poderá desfrutar desse evento que enaltece sua gastronomia como arte – e já existem planos do Governo do Estado para instalar uma escola para formação de chefs -, mas não poderá desfrutar de uma das maiores delícias que ali se criou, que é a unha de caranguejo. Isso mesmo, unha, porque coxinha é de galinha, bolinho é de carne ou peixe (como o bacalhau) e patinha é ao vinagrete, já a unha só pode ser de caranguejo, e a encontrada em Belém do Pará proporcionava uma experiência dos deuses da gastronomia popular.

Devo dizer que além de especialista em arroz de galinha, que tem o do Isaac (na Frei Gil), como o melhor do mundo, sou um expert em unha de caranguejo, e, quando fui ávido atrás da melhor unha do planeta, que é a do Namura (na Domingos Marreiros), fui surpreendido com a informação de que o estabelecimento tinha cancelado sua fabricação do quitute, depois de sofrer uma multa de R$5.000,00, que lhe foi imputada por ser proibido em Belém a comercialização e o consumo do caranguejo desfiado, em função da “descoberta” da forma pouco higiênica do processo de extração.

Uma lei foi feita para proibir isso, que, vamos e convenhamos, não sendo vingança de alérgico, é uma grande bolada nas costas do apreciador dessa iguaria da popular gastronomia, além, óbvio, da legalidade, ou vocês acham que ninguém mais compra caranguejo desfiado em Belém? Da mesma maneira que ninguém mais bebeu quando decretada a lei seca americana, não é? Como diriam no “Veropa”, ‘te iluuuude!’

Claro que não tem defesa para o procedimento antigo de desfiar o “caranga”, mas simplesmente proibir sua produção e consumo, ao invés de definir procedimento de certificação de produtores é, no mínimo, má vontade do legislador e dos órgãos responsáveis. Enquanto se celebra a gastronomia dos grandes salões, o Pará não pode descuidar da gastronomia popular e privar os apreciadores do bom paladar de degustar pratos especiais e que trazem em si a sua singularidade, sob pena de internacionalizarmos tanto a ponto de perdermos a identidade e mais tarde pagarmos uma fortuna por um “crab nail” vindo de Miami ou, o pecado maior, importar unha congelada de Manaus, produzido com subsídio da zona franca.

Batendo recorde de industrialização, o Pará tem que pensar grande, como o tamanho que resolveu manter, e entender que mesmo uma unha de caranguejo pode sim gerar renda de forma efetiva a famílias de pescadores na sua zona gigante de mangue, definindo critérios, estabelecendo certificações, industrializando a produção ao invés de vender caranguejos in natura aos montes para o Ceará, deixando que este que vos escreve cumpra seu saboroso papel na cadeia de consumo e deixe de se sentir um "Al Capone gastronômico", porque ver o peso da cozinha paraense é ver um jeito de ser de um povo, de sua cultura, o sabor dos seus temperos, a delicadeza do seu paladar, do seu jeito de tratar e de sua alma; e no caldeirão do Pará, cabe tudo isso e mais um pouco, sempre servido com a fartura da alegria de seu povo.


Edney Martins
Belém, abril chuvoso de 2012

domingo, 15 de agosto de 2010

A Rede Rádio Cipó do Pará

O frio paulistano que invadiu o sábado carioca não foi obstáculo para que o público se aquecesse com o excelente som que o Coletivo Rádio Cipó (http://www.myspace.com/coletivoradiocipo) realizou no espaço Oi Futuro de Ipanema. Para quem esperava o exotismo de um som que vêm da Amazônia, se deparou com uma linguagem contemporânea, com pitadas de uma cultura que ainda tem muito a mostrar. As participações de Oto e de Daniel Delatouche, com seu trompete mágico, fincaram ainda com mais força a bandeira da música de boa qualidade.

Com uma pegada de coletividade na veia, o Rádio Cipó é um espaço de produtividade que envolve vídeo, som, canto, sampler, mix, tradição, carimbó, guitarrada e a sua vertente de ação social que busca abrir uma janela de desenvolvimento dos talentos de uma juventude que ainda não encontra na cena local esse tipo de incentivo.

Em época que Paulo Henrique Ganso ajuda a resgatar a imagem de um estado já acostumado a se ver negativamente nos noticiários nacionais, dançar ao som do Coletivo Rádio Cipó em um dos locais mais quentes do Rio para se ouvir a boa safra da música nacional é um presente não somente aos conterrâneos que aportaram pelas bandas de cá, como a todos os que enfrentaram a chuva fina (ainda não viram o que é uma chuva de verdade!) e se deliciaram com a apresentação dos garotos e com a vivacidade de mestre Laurentino, que aos 85 anos ainda tem orgulho de ser um roqueiro nascido na misteriosa Ilha de Marajó, o que lhe garante com muita honra e merecimento o título de "presidente de honra" do Coletivo.

A pitada quente do carimbó regional e da sensualidade do norte ficou a cargo de ona Onete, diva da cena local que ganhou a cena nacional a partir do trabalho feito com essa moçada que tem muita estrada rodada e que chega somente agora com a sua "caravana holiday" very hot no cenário do Rio de Janeiro.

Agora é hora de hastear a bandeira ainda mais alto e seguir construindo essa estrada, que levará o Coletivo Rádio Cipó além dos oceanos. Comemoremos juntos: o Pará e a boa música!

Quem quiser saber mais, Aí está o caminho: http://www.coletivoradiocipo.org/spip.php?article=3

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Círio, uma experiência de fé...no amanhã.

É madrugada. Deixo a Taberna São Jorge, em Belém do Pará, e sigo para o aeroporto, onde pegarei o avião que me levará de volta ao Rio.
Mais um Círio vivido naquela cidade, o de número 217, muito mais do que os meus 38 anos de vida. Como sempre, impressionante, como de costume, um colosso; dois milhões de pessoas no trajeto da procissão que homenageia a padroeira dos paraenses, Nossa Senhora de Nazaré, ou "Naza", "Nazica", "Nazarezinha", para os íntimos romeiros pagadores de promessa. Realmente a fé de um povo inteiro, o momento Ramadã dos nascidos ali, que sempre voltam no segundo domingo de outubro, produzindo um dos maiores eventos religiosos que se tem notícia. Não é exagero dizer que só indo ao Círio para entender e sentir o que acontece naquele lugar; a presença de algo maior é sentido quando a imagem passa na berlinda lindamente enfeitada, e para quem vai além das religiões e compreende o Altivo como energia coletiva e em movimento, aquele é um bom exemplo de receptor e irradiador de energia, um legítimo hub de fé e positividade.

Quisera eu que esse capital social todo mobilizado em outubro durasse durante o ano inteiro, que toda a logística e mobilização conjunta realizada em torno do Círio fossem utilizadas também para reduzir a quantidade de pessoas que me disseram que de lá queriam sair, que funcionasse para produzir durante todo o ano a reverberação daquela esperança vista e sentida nas orações de senhoras simples, no caminhar descalço do senhor com o filho nos ombros, na alegria de uma família junta em torno de uma mesa. Belém dá ensinamento a muitos lugares sem saber ainda como se beneficiar disso. Na cidade do "já teve" existe um potencial gigantesco por natureza - como anuncia o hino nacional -, mas ainda adormecido em um berço não mais tão esplêndido. Jovens ainda estão sem a oportunidade merecida, a sensação de insegurança é espantosa, o trânsito confuso da grande metrópole fica ainda mais confuso com asfaltamentos e obras fora de hora ou sem planejamento, enfim, os dilemas de muitas outras cidades Brasil afora.

Porém, devo dizer que deixei Belém pensando na força impressionante que aquela cidade tem em mobilizar um número de pessoas em quantidade como aquela, de forma ordeira, pacífica, positiva e proativa. Repito: de acordo com os dados oficiais, eram cerca de dois milhões de pessoas na procissão, em uma cidade que tem em torno de um milhão e meio de habitantes. É muita coisa! E, pessoa que vai longe nos pensamentos que sou, fiquei "viajando" no efeito que causaria uma "Diretoria da Festa" organizada para além dela, pensando a cidade de forma sistemática, holística, como gostam de pregar os gurus da gestão moderna, ampliando suas potencialidades, criando ambientes de desenvolvimento coletivo e de convivência, permitindo aos seus jovens uma convivência para o crescimento conjunto do intelecto, das oportunidades e do espírito.

Belém, aquela cidade portal da Amazônia, ainda tem muito do seu charme em pé, da beleza gentil dos seus habitantes, da possibilidade de se levantar e ir além do "já teve", construindo no hoje o seu futuro. Passado que lhe dê lastro para isso existe, resta agora um olhar (dos céus?) para que suas velas sejam lançadas ao vento do amanhã com a dignidade morena do povo do Pará.

Vejo o Rio de Janeiro pela janela. Em breve pouso.

Viva Nossa Senhora de Nazaré!

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Gripe Suína na Liberdade

Foto: Edney Martins

Na noite da última sexta (21/08) fiz uma visita forçada à emergência do hospital Copa D'or, no Rio de Janeiro. Pesava sobre mim uma tonelada de dor, febre, incômodo, inflamação, a sensação de quase aquela música inteira de enfermidades cantada pelos Titãs, e, claro, o "pânico" da vez: a possibilidade de ter a tal PANDEMIA SUÍNA anunciada.

É bom que se esclareça que sou dos que acreditam que as providências estão sendo tomadas e que esse negócio de pandemia é um grande exageiro, mas depois que o Jornal Nacional iniciou com o William Bonner dizendo diretamente para mim - foi para mim, não foi? - que mais quatro pessoas haviam morrido da tal gripe naquele dia, achei por bem acionar minha categoria de cidadão e ligar para o Disk Gripe (certamente primo dos
trocentos "Disques" que nasceram nessa modernidade), e iniciar a conversa que se concluiu com a indicação para buscar um hospital, diante de minhas respostas positivas a todas as perguntas do protocolo montado pelo Ministério da Saúde.
Justificar
Como todo bom exemplar do gênero masculino, pensei: estarei eu caminhando para o meu fim? E seria ele assim suíno por meu signo chinês ser Javali, que sempre foi um porco disfarçado? E com essa profundidade de reflexão, que bem podia ser fruto da febre que já ia nas alturas, fui com minha identidade impressa e o cartão do plano de saúde nas mãos, e debaixo de uma chuva cão que resolveu cair na cidade. Já na emergência do hospital, a espera pouca no atendimento não me permitiu fazer contato mais próximo que o simples boa noite com os demais que lá estavam àquela altura, e isso ficou totalmente impossível após meu retorno do primeiro atendimento, já com a máscara que o enfermeiro me enfiou na cara após medir pressão, temperatura, e colocar também nele a máscara que lhe garantia a segurança (devo dizer que é impressionante a clareira que fica em torno de uma pessoa com máscara; segundo um colega, ela é muito útil como ferramenta para conseguir lugar para sentar nos transportes públicos). Absorto naquela solidão que o preconceito me causou, vi o Bonner dizendo o clássico boa noite e pensei: para ti talvez, meu caro, mas aqui parece que a coisa vai loooonge.

Dois vidrinhos de sangue depois, retirados para os exames que o médico (de máscaras e mãos bem lavadas) pediu, fui vendo na TV da sala de espera as aventuras de Opash entre
are babas, tics, mamadis e todo esse mundo de palavras e entusiasmadas quebradinhas de pescoço indianas da novela de Glória Perez. Ali, sozinho e com a clareira em volta de mim, comecei a pensar no monte de coisas que tinha para fazer e nos e-mails que recebi, e lembrei que entre eles tinha um que trazia a história de uma pessoa que respeito muito, o jornalista paraense Lúcio Flávio Pinto. Para quem ainda não o conhece, está aí um bom momento de encontro com o que há de cidadania em todos nós.

Lúcio é um JORNALISTA, assim mesmo, com todas as letras maiúsculas. Aluno que fui do NPI, a escola de aplicação da Universidade Federal do Pará, tive a sorte de participar de um encontro com ele na escola, onde ele falou sobre eclusas (já ouviu falar disso?) com uma didática impressionante, a ponto de dar a mim e a todos os que ali estavam, a dimensão do que é Amazônia, do nosso espaço, sem que saíssemos daquele auditório. Um cara fantástico, coerente com suas opiniões e editor do Jornal Pessoal, um jornal que, de tão essencial, não pode ser chamado de alternativo. Ele é sim fundamental a uma sociedade que busque a reflexão para o seu entendimento, a compreensão do passado, esse insumo fundamental para o encontro e a conversa que vise uma construção conjunta e justa de futuro.

Fui pensando isso entre tosse, febre alta (seria por isso?) e uma ida a radiografia que o Dr. Pedro solicitou em meu prontuário. Curioso como ali naquela nova cidade eu me via lembrando da minha cidade natal e tinha a história de Lúcio como meu elemento de ligação, mas o fato de que uma pessoa como essa estivesse vivendo um dos casos mais Kafkianos da imprensa nacional era fermento desse pensar. Lúcio foi condenado por um juiz de Belém a indenizar dois empresários proprietários do maior grupo de comunicação do Norte do Brasil, o grupo "O Liberal", e a sentença - se é que aquilo assim pode ser chamado - deveria ser utilizada nos inúmeros cursos de magistratura para ensinar como NÃO ser um magistrado, como macular uma carreira, se é que esse senhor pretendeu de fato formar uma algum dia.

A condenação de Lúcio Flávio e o seu aprisionamento na cidade de Belém em razão das dezenas de ações movidas contra ele pelos proprietários do "O Liberal" é um acinte não a uma cidade, mas a princípios básicos de cada um de nós, sejamos moradores de Belém, do Rio, de São Paulo, do Chuí, do Oiapoque, de todos os cantos onde as palavras democracia e liberdade façam algum sentido. Não estou falando de um jornalista que trata a notícia de maneira cretina, falo de um profissional que é base de estudo de qualquer trabalho sério sobre a Amazônia, seja no seu âmbito econômico, social, cultural, ambiental, humano ou político, e o seu caso, que já é de domínio de todos de lá e de além mar, mostra o quanto o Pará se encontra hoje em um momento de pior nível de capital social. A perseguição a Lúcio expõe uma sociedade e a reação a ela demonstra que ainda há muito o que fazer, porque cercear isso é permitir que exista uma única verdade, um único olhar, uma opinião que não traz em si a isenção de conceder a uma sociedade um amplo grau de informação, e isso asfixia, seca, mata muito mais do que palavras; vai no campo fértil dos sonhos e atinge de maneira mortal o sentido da liberdade.

Ali, naquele hospital em noite de sexta chuvosa em Copacabana, entre máscara, agulhas, radiografias,
are babas e tudo o mais, rezei. Rezei por Lúcio, por Belém, por meus filhos, por todos os que antes de nós aqui estiveram, por todos os que aqui pereceram em nome da verdade, da liberdade e da justiça, essa que não é do juiz Raimundo das Chagas, posto que não a compreende. Rezei para que mais pessoas soubessem disso e para que não ouvisse o Bonner dizendo qualquer dia desses: "Mais um caso de assassinato da liberdade no Pará".

Que a gripe suína do absurdo passe longe de nossas aldeias, de nossos lares, de nosso caminhar. Toda minha solidariedade a Lúcio e ao que ele representa.

Para quem quiser saber mais, aí vai o blog: http://solidariedadelucioflaviopinto.blogspot.com

By the way, não estou com gripe suína.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Encontro na chuva

Foto: Walda Marques

A foto acima é de um momento de Belém do Pará, minha cidade natal, e ao fundo podemos ver,tímido, o pórtico de entrada para o Forte do Castelo, onde nasceu aquela bela e surpreendente cidade, mas também poderia ser um portal, desses que desobedecem o tempo e lugar, ligando neste momento minhas duas cidades nessa tarde de chuva de inverno no Rio de Janeiro. Ambas, mágicas que são, têm a água, esse elemento celular e fundamental, como grande mobilizador. A segunda com a água como grande companheira, a primeira com ela como algo sempre presente, mas nem sempre aberta aos nossos olhos.

A imagem de Walda Marques nos traz essa sinergia, essa ligação entre lugares, sensações e almas que encontram nos momentos de chuva um momento de (re)encontro e prazer no contato conosco e com o outro.

Sigo ouvindo o barulho dos pingos no telhado e o aroma de minhas ervas levando minhas orações aos deuses do firmamento e do amanhã.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Belém e seu abajour lilás

Da janela do quarto vejo o amanhecer em Belém e o seu ceú lilás, esse que imita o abajour que encanta Dalva de Oliveira e que me traz tanta coisa boa, tanta visão do ontem e do amanhã. Este presente portal me permite ver a cidade com os encantos que tem, permitindo esse encontro quase despedida de quem fará longa viagem e não sabe quando volta.

Para quem não a conhece, sugiro presteza para ver o que Belém guarda e apresenta. Sua chuva na tarde com fortes pingos mostra a beleza do sol refletindo nesse conjunto de gotas, o anoitecer nos recebe com abraço quente e convidativo, e uma passagem na Taberna São Jorge não faz parte da programação da cidade, mas sim da vida. Nunca venha a Belém e deixe de conhecer esse lugar.

O Rio de Janeiro e os aromas que guarda são inéditos, mas Belém é cidade irmã, dessas que surpreende e lhe presenteia com o sentido pleno do amor que a amizade produz.

Volto para minha bela canção de Dalva e vejo, com o amanhecer lilás à frente, o abajour antes cantado como cantiga de ninar. Tu consegues escutar?