quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Au revoir, mon ami.
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Veredas da Educação
Capitão Gervásio de Oliveira é o nome do município. Procure no mapa e encontre a cidade debaixo das estrelas e do sol escaldante. Procure no seu mapa pessoal e me ajude a responder a questão que me apanhou, assim como os inúmeros pés de vento encontrados nos mais de 300km percorridos a partir da BR 407, saindo de Petrolina (PE), a tão festejada "califórnia brasileira". Afinal de contas, a solidariedade nasce mais fácil nas pequenas localidades do que nas grandes cidades? Se nasce, qual o motivo disso?
domingo, 15 de agosto de 2010
A Rede Rádio Cipó do Pará
Com uma pegada de coletividade na veia, o Rádio Cipó é um espaço de produtividade que envolve vídeo, som, canto, sampler, mix, tradição, carimbó, guitarrada e a sua vertente de ação social que busca abrir uma janela de desenvolvimento dos talentos de uma juventude que ainda não encontra na cena local esse tipo de incentivo.
Em época que Paulo Henrique Ganso ajuda a resgatar a imagem de um estado já acostumado a se ver negativamente nos noticiários nacionais, dançar ao som do Coletivo Rádio Cipó em um dos locais mais quentes do Rio para se ouvir a boa safra da música nacional é um presente não somente aos conterrâneos que aportaram pelas bandas de cá, como a todos os que enfrentaram a chuva fina (ainda não viram o que é uma chuva de verdade!) e se deliciaram com a apresentação dos garotos e com a vivacidade de mestre Laurentino, que aos 85 anos ainda tem orgulho de ser um roqueiro nascido na misteriosa Ilha de Marajó, o que lhe garante com muita honra e merecimento o título de "presidente de honra" do Coletivo.
A pitada quente do carimbó regional e da sensualidade do norte ficou a cargo de ona Onete, diva da cena local que ganhou a cena nacional a partir do trabalho feito com essa moçada que tem muita estrada rodada e que chega somente agora com a sua "caravana holiday" very hot no cenário do Rio de Janeiro.
Agora é hora de hastear a bandeira ainda mais alto e seguir construindo essa estrada, que levará o Coletivo Rádio Cipó além dos oceanos. Comemoremos juntos: o Pará e a boa música!
Quem quiser saber mais, Aí está o caminho: http://www.coletivoradiocipo.org/spip.php?article=3
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
Dalva, Herivelto e...Miriam
Acontece que ao ver "Dalva e Herivelto" fui tomado por um turbilhão de lembranças trazidas por vozes conhecidas e por bons momentos de infância e juventude. Me vi ali. Conheço os clássicos do rádio e da seresta (se podemos chamá-los assim) por intermédio de minha mãe, D. Miriam, de meu tio Célio (ouvia todo dia, às 6h, o Clube da Saudade, programa da Rádio Clube do Pará, que foi seu companheiro no momento do infarto fulminante que nos privou de sua especial companhia) e tia Marizita, aquela que guarda tantas memórias e histórias dentro de si, de seu sorriso e de seu orgulho de educadora que ainda hoje, aos 70 e tantos, leciona para as crianças do bairro onde mora.
Nelson Gonçalves, Vicente Celestino, Orlando Silva, Cauby Peixoto, Ataulfo Alves, Dalva de Oliveira, Herivelto Martins, Benvenido Granda, todos eles passaram pela sala de casa, que sempre se inundava com as belas vozes que embalavam letras e melodias que levavam os presentes a lugares tantos de um passado que naquele momento não era só dos mais velhos, mas de todos nós, incluindo eu, que guardo comigo aventuras da família de D. Paulina, minha tia-avó; e, a julgar pelo apelido de meus tios ("Espalha brasa", "Menino malhado" e "Rei dos vagabundos"), não eram poucas.
Vendo a minisérie da Globo e a produção apurada que a sustenta, conheço um período da história que me parecia familiar pelas memórias dos outros, mas nunca vivido. Aquele em que era nos bailes que as coisas aconteciam e para se conquistar uma bela moça ou distinto rapaz, era fundamental saber a arte de dançar, de passear pelo salão, de "escrever", como me disse minha mãe ao iniciar o caminho para que eu pudesse ser seu parceiro em bons e inesquecíveis boleros. Ainda hoje gosto muito de dançar, e danço até "ladainha bem cantada", mas confesso que um bom bolero ainda me deixa muito mais animado.
A histórica briga de Dalva de Oliveira e Herivelto Martins gerou um dos mais instigantes "duelos" da história musical brasileira, e nos coloca diante de um amor guiado por valores que não ficaram perdidos na distante década de 50 do século passado. Ainda hoje, quando iniciamos a segunda década do século XXI, infelizmente, encontramos situações semelhantes vividas por tantos contemporâneos nossos, com a diferença de não ser embalada pelas letras fortes que conduziam a poesia da dor daquele amor.
Ah! O amor...ele, sempre ele, presente em tantos episódios da vida humana e gerador de tantos movimentos positivos e negativos da humanidade.
"Dalva e Herivelto" já começou campeã quando resgata a história do Cassino da URCA, com o glamour daquele esplêndido corpo de baile e com todos em seus summers e blackties dando o tom da festa. E, não fosse isso suficiente, me proporcionou esse reencontro na sala de casa da minha memória, com D. Miriam, minha querida mãe, me contando cada história (ou seria estória mesmo?) lembrada pelas faixas da coleção de CDs de Dalva de Oliveira que lhe dei de presente há tantos anos passados.
Como disse Arnaldo Bloch em uma de suas deliciosas crônicas, existem momentos em que "a alma dança", e é isso que acontece comigo quando vejo "Dalva e Herivelto", minha alma dança pelos salões de minha memória vendo aquela TV e a narrativa de vidas de estrelas que, como nós, vivem e se permitem. Que seria da minha vida sem isso, sem a luz difusa do abajour lilás das boas lembranças e situações vividas? Sei não.
Toda minha gratidão a D. Miriam.
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Meu bom e velho Noel
Esta é uma carta que escrevi para participar do concurso de um blog bem legal, o RIOetc (http://rioetc.blogspot.com). Quem ganhasse na votação do público levaria um saco cheio de presentes, como o do Papai Noel. Fiquei em terceiro lugar e me diverti bastante escrevendo. Compartilho com os que não tiveram a oportunidade de ler e também de votar em mim. rsrsrsrs
Meu bom e velho Noel,
Tenho que confessar: não acreditava mais no senhor, e isso faz muito tempo, desde aquele trenzinho de ferro que encontrei na beira da minha cama e que me custou um pé furado quando pisei nele sem querer (ali percebi que o senhor sofria da mesma dificuldade que meu pai em guardar as coisas debaixo da cama, e o senhor deve lembrar de como eu era bom em ligar os pontos), mas o tempo passou, eu nem moro mais na mesma cidade, fico tirando uma de seu auxiliar aqui com os meus filhos, sempre pensando como é que vou contar a eles que o senhor não existe.
Até que, passeando por esse novo mundo digital, meio "blogueado" de tanta coisa para fazer, vim ver a atualização do RIO etc e descubro que o senhor terceirizou a sua entrega e no lugar de renas e trenó, estabeleceu uma parceria com essa moçada descolada e criou essa "dêagáele" natalina com essa cesta de presentes número família; sim, porque a diversidade dos itens, vamos combinar, hein Noel!? Isso faz com que o ganhador seja mais um ponto nessa holding de distribuição, porque nenhuma criatura pode ficar com tudo isso só para si...a não ser que não seja assim tão boazinha, mas isso cabe à sua avaliação e eu não quero usar meu espaço aqui para queimar o filme da concorrência, não é Noel?
Agora, mandar carta sem a garantia da privacidade, vou te contar, modernizaste, hein Noel? Digital, cibernético, trabalhando em rede e super colaborativo...impressionei. E impressionei tanto que pensei: acho que esse cara existe mesmo, e esse papo de roupa vermelha e CocaCola é isso aí(!), e quem garante que Noel não vai dar uma banda depois no Cabaré das Rosas enquanto a gente se entope de rabanada? Tá bem Noel, sorry! Essa parte não me diz respeito mesmo.
Vamos ao que interessa. Eu devo dizer que tentei, e consegui ser bonzinho nesse ano (qualquer declaração em contrário não deve ser considerada se não for provada em juízo, com julgamento em última instância, tá?), com isso alcanço o requisito principal do povo das antigas, não é Noel? Mas anexa aí que tenho sido bonzinho também nas postagens do twitter (falei um monte da Cop15 e até fiz campanha para o clima não esquentar, e percebo como isso é do seu interesse, já que a Lapônia sem neve deve ser meio uó), do Facebook (usei a rede para ajudar uma amiga argentina que tinha perdido um amigo israelense que tinha viajado da Bolívia para a fronteira do Peru com o Brasil. Que tal?) e o meu blog trata sempre de questões que podem (ou não, como diz aquele baiano que não deve acreditar muito no senhor, nem no Woody Allen) interessar para algumas pessoas que, como eu, acompanho blogs e a vida.
Ah! E sempre lhe tratei com o devido respeito, o que, vamos combinar, é artigo raro em um Brasil que segue envelhecendo sem saber tratar os seus idosos com dignidade.
Sendo assim, meu bom velhinho camarada, não vou tomar mais o teu tempo, que ainda tem muita cartinha para ler, e espero que o senhor escolha com isenção, mesmo sabendo que isso anda mais raro e caro do que trufa branca italiana, e sem corporativismo, claro, porque mesmo não tendo muita carta de menino aqui no blog, todos nós acreditamos no senhor e sabemos que vai dar o desconto para essa timidez que nos assola.
Daqui, meu abraço saudoso, cheio de alegria por saber que o senhor está bem, antenado e muito bem acompanhado por essa moçada do RIO etc, e, mesmo não ganhando esse saco de presentes para tirar uma onda de seu clone no Natal, valeu o encontro e esse dedinho de prosa.
Ah! E vê se não some, rapaz, que esse negócio de só aparecer no Natal, acaba dando nisso do povo te encher de pedido ao mesmo tempo.
By the way, se resolveres ter um ataque "vintage" e levar o trenzinho esse ano de novo, pode deixar em cima do sofá, tá? Por segurança...
Beijão,
Edney Martins
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Avesso
Com spray de pimenta (o must entre as forças de segurança), cassetete (clássico), bombas de gás (síndrome de Bin Laden), os policiais não livraram a cara de ninguém, nem da imprensa, que lá estava fazendo o seu papel. Agora o ministro da Controladoria Geral da União fala ao povo em horário gratuito e dizendo que faltam reformas mil no Brasil (política, eleitoral etc.) e que é comum um corrupto (alguém já viu um, de direito, de perto? Parece Uirapuru, com canto encanta e não aparece) não ser condenado a nada - a não ser ficar com cara de panetone (não mais de pastel, porque essa cara é a nossa diante dessa confusão toda).
Já escrevi aqui que não nos iludamos com essa situação do Distrito Federal. Por conta da ameaça que um secretário sofreu, soubemos de tudo isso, mas fosse o Arruda um homem inteligente (será?), nunca saberíamos de nada, e ainda corríamos o risco dessa criatura ser candidato a vice-presidente (vai vendo o tamanho da encrenca em que estamos metidos). Ou seja, é gigantesca a chance de termos uma imensa parcela de governos funcionando com base nessa mesma estrutura, e o que é pior, com poder para controlar os Batalhões de Choque para inibir manifestações contra si. A vontade que dá é instalar uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) é lá em Brasília mesmo, no plano piloto, limpando a cidade dessa situação toda, porque até agora, o que não vi se manifestando foi a estrutura do Judiciário. Não apareceu um magistrado para falar nada, e polícia que é bom para prender esse bando de vagabundo, só vi do lado dos bandidos.
Do lado do povo das togas, só a OAB, que mandou conselheiros como observadores da manifestação (quem conhece a OAB e os conselheiros com ternos bem cortados no meio de manifestantes, deve pensar que Papai Noel também existe), e esses alegam que nem tiveram tempo de fazer uma negociação. A polícia do DF entrou e baixou o cacete mesmo, sem papo furado, e o coronel Luiz Fonseca (anotei o nome), comandante da PM de pindorama, disse que estava garantindo o direito de ir e vir do cidadão brasiliense. E o direito de ter um governo que preste? E o direito de ter o valor de seus impostos investidos na melhoria de vida de sua população e não em cavalos?
Hoje é o dia de combate à corrupção, e o vice-prefeito de Manaus acaba de ser preso, mas isso já virou notícia comum, tão comum como a de que um juiz do TRE do Pará concedeu liminar para que o prefeito de Belém, Duciomar Costa, fosse mantido no cargo à revelia do fato de que usou o dinheiro da máquina administrativa para se reeleger. Arruda acaba de entrar com uma ação para barrar qualquer ação do seu partido, o DEM, contra ele, sinal de que quer garantir legenda para tentar a reeleição também. Se Duciomar pode, porque ele não? Quem sabe descola um magistrado muuuuuito isento que lhe garanta esse direito, não é mesmo?
Hoje, dia de combate à corrupção, vejo tudo do avesso, vejo safado chamado de doutor ou excelência, e trabalhador levando cacetada de outro peão cumpridor de ordens, agindo "sob o estrito cumprimento do dever" e arrotando direitos com bafo de mofo do "calaboca" que colocou no bolso. Hoje, dia em que deveríamos gritar e pedir que isso acabe, vejo que o caminho é longo, e que andamos muito pouco desde a cavalaria de 1968 e a de agora; a democracia, este bebê que insiste em seguir, parece um menino Mogli perdido na selva depois do naufrágio do navio dos princípios, enquanto 04 irmãos são enterrados depois de morrerem soterrados por conta da chuva que caiu em São Paulo.
Há muito o que seguir, há muito o que construir, há muito o que viver, há muito o que fazer, e no avesso disso tudo, desligo a tv depois do "boa noite do Bonner" e torço para que amanhã as notícias sejam melhores e que cheguemos "ao avesso, do avesso, do avesso".
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
"Gente é para brilhar!"
O título deste post traz uma parte de uma famosa música de Caetano, e utilizo para expressar de maneira direta o que senti ao ler textos de alguns especialistas em RH que trazem à tona uma coisa que deveria ser simples, mas, talvez pela sofisticação que a simplicidade verdadeira sempre traz em si, não é comum de ser vista no mundo das corporações em geral: as organizações são feitas de pessoas, e são elas o seu maior patrimônio.
Toda pessoa jurídica é, de fato - e mesmo de direito, porque sempre precisa de um preposto para lhe representar - feito por pessoas físicas, e são elas que decretam o sucesso ou o fracasso de uma instituição. O trecho do texto do educador colombiano Bernardo Toro, que coloco acima, destaca isso e reforça que é a partir delas, as pessoas, que construímos uma comunidade de sentido que conseguimos chamar de país. Putnam, fazendo o caminho inverso de Tocqueville - que havia estudado a América - se debruçou sobre a Itália e constatou que existia nas cidades do norte daquele país - mais desenvolvidas e estruturadas do que as do sul - um forte sentimento de solidariedade e confiança, que ele denominou de "capital social". As pessoas resolviam eventuais conflitos de forma pacífica e amigável, e a confiança de ambas as partes no cumprimento do estabelecido era a principal garantia não somente da resolução de um problema pontual, mas da construção de uma sociedade calcada em princípios sólidos de caráter.
Quando vejo a coqueluche que o tema da sustentabilidade se transformou, percebo que ainda há um descompasso entre o que se fala e escreve e o que de fato se faz, e, mesmo com os avanços evidentes que encontramos, a percepção sobre o capital humano ainda deixa a desejar.
Recentemente estive à frente da área de comunicação em uma organização, e vi os efeitos positivos que olhar o público interno como principal stakeholder causou, assim como pude constatar que a promoção do voluntariado dentro de corporações proporcionou um nível de relação entre áreas de uma empresa que dinamizou bastante o processo de trabalho. A sensação de pertencimento gera um envolvimento maior com as questões do coletivo.
Somos todos seres humanos, somos mola propulsora de uma sociedade que se formou a partir do olhar para nós mesmos, e nos tornamos sociedade quando passamos a considerar o outro como um elemento com o qual nos relacionamos, com o qual acreditamos que podemos trocar, e essa troca se dá quando nos dispomos a ouvir o outro, seja ele par ou não no mundo corporativo, porque, antes de tudo, goza da condição de humano, e isso já nos faz pares no viver. Considerar isso é pensar em sustentabilidade. Perceber que uma média gerência insatisfeita pode inviabilizar os mais arrojados planos de inovação, que o chamado "chão de fábrica" (acho horrível essa denominação) tem muito a nos contar sobre fluxos mais eficazes de negócio, é pensar e considerar uma instituição como o ser orgânico que de fato é.
Tratando das relações que vão além de seus muros, que se estendem às casas de seus colaboradores, às escolas de seus filhos, aos clubes que frequentam, aos lugares em que celebram o seu espírito, compartilhando de suas vidas, os entes corporativos pavimentam uma trilha sustentável de vida, possibilitando a construção de caminhos alternativos nos momentos difíceis, assim como os de celebração nas vitórias alcançadas no decorrer do processo, mas isso, caros amigos, se faz com liderança exercida com responsabilidade, com equilíbrio e sem auto-suficiência, e aí está um dos grandes desafios.
A necessidade de construção de um mundo sustentável não é mais "moda passageira de gestão", é mais do que realidade com a ocorrência de graves problemas climáticos, e se essa transformação se dá a partir dos países e das corporações, detentoras da maior parte da renda mundial, é nas pessoas e na figura individual de cada um de nós que ela nasce e se fortalece.
O mundo é uma rede, e nós somos um ponto na trama que a compõe. Quanto mais pontos conscientes tivermos, a rede mais forte será, e o nosso amanhã há de ser feliz depois de um sono tranquilo. Vamos a ele!
